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Gente que ouve enquanto lava a louça, durante o congestionamento de cada dia… na academia…onde mais você ouve podcasts?

Afinal, ele é o queridinho do “momento”! Eu arrisquei a dizer aqui um dos porquês. Já já você vai saber.

Mas antes, trouxe algumas coisas para você se inteirar sobre o assunto:

  • Há uma definição universal?
  • O mundo tem mais de 30 milhões de episódios de podcast
  • #ciência: Podcast e cuidados paliativos
  • #ciência: Podcast melhora ensino e aprendizado, mas pode causar dependência de tecnologia
  • Um jeito mais “humano” de comunicar?

Há uma definição universal?

Fiz uma enquete no meu instagram (@danimalagoli_) recentemente e alguns seguidores votaram que ainda não sabiam o que era podcast.

Mesmo sendo o queridinho de muitos ouvintes há algum tempo, 39 milhões de brasileiros não sabiam o que era podcast, segundo pesquisa realizada em 2019 pelo IBOPE Conecta, unidade de pesquisas online do IBOPE Inteligência.

Por outro lado, 50 milhões de internautas brasileiros – 40% – já ouviram podcast alguma vez.

Parece que agora todo mundo só fala em podcasts, né. Mas ele surgiu bem antes!

O que se sabe é que foi no início dos anos 2000. Adam Curry, um empresário dos Estados Unidos, apresentador de televisão, jornalista, radialista e, claro, podcaster, foi quem teria criado o formato de transmissão de áudio (em princípio, vídeo também) pela internet.

O que Adam Curry fez foi criar uma forma de transferir o arquivo de áudio via RSS feed para o iTunes, chamado de agregador, o que caracterizou o podcast como tal.

O RSS é uma tecnologia que também diferencia o podcast de um simples áudio na internet.

Por isso o nome Podcast: Pod vem de Pod (Personal On Demand), e casting vem de broadcasting – termo em inglês que significa transmissão pública de informações – especialmente feita por rádio e televisão.

Mas, este artigo diz que não há um consenso sobre a definição do termo. Alguns entendem que o podcast é divulgado na internet a partir de uma gravação de áudio digital (BAHIA, citado por Tonus et al).

Além disso, alguns pesquisadores até preferem “audiocast”, para não associar o processo de produção do podcast somente ao iPod.

Seria um programa de rádio? Parece, mas não é, pois você é quem escolhe o que quer ouvir, pode apertar pause e voltar na parte em que você não entendeu e ainda baixar e ouvir quando estiver offline.

Além disso, a forma como os podcasts são produzidos hoje é diferente dos formatos tradicionais de rádio, que usavam equipamentos sofisticados.

É bem simples criar, editar e publicar o seu próprio podcast.

O mundo tem mais de 30 milhões de episódios de podcast

É muita coisa. Em dezembro de 2019, os episódios somavam mais de 30 milhões! Ao todo, até eu publicar este post, existiam cerca de 800 mil programas de podcasts no mundo.

A Coréia do Sul foi o país que mais ouviu podcasts no mundo em dezembro de 2019. Os dados estão no Podcast Insights.

Só no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Podcasters (Abpod), em 2019 tínhamos mais de 2 mil podcasts ativos – ou seja – publicados com regularidade.

E por que tanta gente ouve? Segundo o estudo, para aprender coisas novas e adquirir conhecimentos de maneira informal e descontraída.

Dados da PodPesquisa 2018, citada neste estudo, mostram as principais categorias:

  • Cinema, séries e cultura pop
  • Esportes e recreação
  • Comportamento
  • Notícias/Política
  • Games

Mas tem para todos os gostos. Muitos são voltados para a educação, com foco em ensino, aprendizagem, divulgação científica etc.

Tem sido um crescimento de via dupla. Para quem ouve e quem produz, afinal, muitos têm ganhado a vida fazendo isso. “Mamilos” e “Nerdcast”, dois podcasts famosos no Brasil, são um exemplo.

Em novembro de 2019 São Paulo recebeu Spotify for Podcasters Summit, o o maior evento de podcasts da América Latina. Uma das conversas foi justamente como ganhar dinheiro dessa forma, seja por meio de anúncios, parcerias com marcas e outras formas de monetização.

Spotify e outras plataformas de streaming de música como o Deezer têm investido pesado em podcasts, não só hospedando, mas produzindo os seus próprios programas.

E o crescimento é ascendente. Segundo estudo de outubro de 2019 da plataforma Deezer, o consumo de podcast aumentou 67% em relação ao mesmo período de 2018.

A concorrência está cada vez mais acirrada. O que não falta é lugar para ouvir: PodcastAddict, Apple Podcast, Google Podcasts, Castbox, Tunein, o próprio Youtube, muito usado por brasileiros, e vários outros.

#ciência: Podcast e cuidados paliativos

Muitas pesquisas científicas mostram benefícios do podcast. Este estudo consistiu no desenvolvimento de um podcast sobre cuidados paliativos, chamado, que foi disponibilizado na plataforma SoundCloud. O programa foi ouvido em 68 países.

Segundo os pesquisadores, que são de centros de cuidados paliativos, hospitais e da Universidade de Liverpool, as conclusões são positivas. Ele facilitou a discussão sobre cuidados paliativos com o público global.

Além disso, podcasts oferecem o potencial de desenvolver conteúdo educacional e promover a divulgação de pesquisas.

Esse não é o único exemplo de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) aliadas à educação e divulgação científica em saúde.

O Imunocast, podcast criado inicialmente para o curso de Enfermagem da Universidade Federal de Uberlândia, tem como foco conteúdos da disciplina de Imunologia, especificamente sobre imunologia do leite materno.

#ciência: Podcast aprimora ensino e aprendizado, mas pode causar dependência de tecnologia

O podcast em formatos curtos ofereceu benefícios tanto para alunos quanto para professores da Faculdade de Economia e Negócios, da Universidade de Sidney, na Austrália.

Os alunos acreditaram que a flexibilidade do podcast trouxe benefícios ao aprendizado. Já para os professores, ajudou a diversificar a abordagem pedagógica.

O estudo foi publicado em 2016 no Journal “Research in Learning Technology”.

Já uma pesquisa da Turquia sugere que os podcasts têm seus benefícios no processo de ensino e aprendizado de idiomas, mas faz ressalvas: podem causar dependência excessiva da tecnologia ao longo do tempo ou provocar distração.

Então é sempre bom ficarmos atentos à forma como usamos a tecnologia, nada de excessos, pois a tentação é grande.

Um jeito mais “humano” de comunicar?

O podcast parece proporcionar uma conexão mais íntima. É você e alguém falando ao pé do seu ouvido.

Ouço vários podcasts, me divirto com alguns! É como se estivéssemos conversando no sofá da minha casa tomando uma cerveja. E ainda refletindo sobre a vida e aprendendo coisas novas.

Ah, só um parêntese: a boa notícia é que é possível transmitir essas sensações de familiaridade e proximidade com seu público também no vídeo, no texto…. pense nisso se você for produzir seu podcast, ou gravar um vídeo nos stories, ou escrever um texto no seu blog.

Não precisa fazer muito esforço, na verdade é o contrário, apenas “seja você”, claro: com todas as interrogações e complexidades inerentes a essa frase. Mas acho que você captou o que eu quis dizer.

Em termos gerais, o podcast parece se construir em um jeito mais informal (não confunda informal com bobo), um jeito mais conversado.

Este artigo fala algo semelhante ao que eu penso:

… brilha como um meio de profundidade. A qualidade mais valiosa é a profunda conexão dos ouvintes com as vozes e histórias em seus ouvidos.

Talvez por isso ele não saia dos ouvidos. Acessa camadas mais viscerais nossas. Vai num ponto primitivo e fundamental da comunicação.

Por exemplo, por meio de histórias. Histórias e seu poder de mexer com a gente, neurocientificamente falando.

Diante de tudo isso, eu poderia arriscar dizendo que podcast seria uma forma mais “humana” de comunicar? Também parece estranho e complexo dizer isso, mas creio que você assimilou.

E sim, pode ser. E, para mim, isso que conecta.

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