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Elas têm sido foco de muitas discussões sobre os riscos que podem oferecer. Afinal, será que as mídias sociais fazem bem ou mal ao cérebro?

Neste post vou mostrar o que tem dito a ciência sobre o uso das mídias sociais. Aí você vai entender que depende.

Um resumão do que você vai ler:

  • Por que compartilhamos?
  • Mídias sociais e narcisismo
  • Experiências negativas em mídias sociais aumentam isolamento social
  • Instagram, Facebook e Snapchat: use menos que é melhor
  • As mídias sociais não têm efeitos negativos importantes sobre o bem-estar
  • Compartilhar experiências pessoais na internet ajuda na retenção de memória

Mas, antes, vamos falar brevemente de números: o Facebook ainda é a mídia mais popular: mais de 2, 5 bilhões de usuários ativos mensais nos primeiros meses de 2020.

Além disso, o Brasil lidera na América Latina: 118 milhões de pessoas usam o aplicativo.

Já com relação ao Instagram, o nosso país foi o terceiro no mundo em usuários da plataforma em abril deste ano, com 82 milhões.

Perfil do Facebook Daniela Malagoli
Apesar de ter perfil no Facebook, não uso mais essa mídia como antes… amo o Instagram 🙂

Perdemos apenas para os Estados Unidos e Índia.

Isto significa que é muita gente online. Provavelmente é um dos motivos da preocupação social com a forma como a gente tem usufruído dessas ferramentas de comunicação.

De antemão, uma pergunta que está sempre rondando minha cabeça:

Por que compartilhamos?

Essa pergunta pode parecer simples mas envolve várias questões talvez um pouco complexas e profundas.

Para tentar respondê-la, teríamos que recorrer a várias áreas do conhecimento como ciências da comunicação, psicologia, filosofia, sociologia e neurociência.

Nesse sentido, dois artigos neurocientíficos podem dar um breve panorama sobre esse desejo humano.

Um deles, publicado na Psychological Science, diz que, em parte, a vontade de compartilhar pode ser motivada pela excitação.

Ou seja, quando a gente está fisiologicamente excitado, nosso Sistema Nervoso Autônomo (SNA) é ativado, o que estimula a transmissão social.

Neste contexto, as emoções, quando evocadas, podem ajudar a aumentar a chance de uma mensagem ser compartilhada.

Mas, um detalhe! Não é qualquer emoção. A raiva, o medo ou mesmo sentir-se divertido são consideradas pelo estudo como emoções de alta excitação. Diferentemente da tristeza, relacionada à inibição e inação.

Assim também, em outro estudo publicado no periódico Nature, tem-se uma informação muito interessante. Diz que mais de 40% do discurso diário de alguém contêm informações pessoais sobre o orador.

Será por isso que as mídias explodiram tanto? Por um desejo, provavelmente, inato do ser humano? Acredito que, a princípio, a história caminha por aí.

Então vamos saber o que a ciência tem falado sobre o uso das mídias sociais e o cérebro.

Mídias sociais e narcisismo

Uma pesquisa publicada no Journal of Personality em 2017 apoia a relação entre o uso de sites de mídias sociais e traços de personalidade narcisista.

O estudo caracteriza o narcisismo como um sentido inflado do Eu. 

Para o artigo, as diferenças de narcisismo têm sido conectadas à prevalente cultura de mídia. Essa, por sua vez, é caracterizada por refletir e moldar o narcisismo das pessoas.

Além disso, os sites de mídias envolvem características particulares de comunicação distintas da comunicação off-line e que de acordo com a pesquisa podem se adequar às tendências narcísicas.

Os pesquisadores também destacam que o usuário pode selecionar o que vai publicar sobre ele, ignorando incidentes que “não se encaixam em seu autoconceito embelezado”.

Experiências negativas em mídias sociais aumentam isolamento social

É o que afirma um estudo publicado em janeiro de 2019 no American Journal of Health Promotion

A conclusão é a de que experiências positivas nas mídias sociais não estiveram associadas a um menor isolamento social, enquanto que experiências negativas foram relacionadas a um isolamento social mais elevado. 

Para os pesquisadores, da Universidade de Pitsburgo, os resultados do estudo são consistentes com o conceito de viés de negatividade, que sugere que os seres humanos tendem a dar maior peso às entidades negativas do que às positivas.

Instagram, Facebook e Snapchat: use menos que é melhor

Estudo publicado 2018 sugere limitar bastante o uso dessas mídias sociais. Mais especificamente, a 30 minutos por dia.

Por quê? Se usarmos apenas esse tempo, vamos notar uma melhora significativa no nosso bem-estar emocional.

Por exemplo, os participantes que acessaram apenas 10 minutos por dia tais ferramentas durante algumas semanas notaram melhora significativa na solidão.

Bom, curioso né. Ao mesmo tempo que estamos conectados, podemos estar sozinhos.

As mídias sociais não têm efeitos negativos importantes sobre o bem-estar

Pesquisas como a do Departamento de Estudos em Comunicação, da Universidade de Kansas, (EUA), publicada em 2018, trazem outra face das mídias sociais e sua relação com os usuários.

Aponta que as mídias sociais não exercem efeitos negativos significativos sobre as interações sociais “presenciais” e/ou ainda sobre o bem-estar social.

Os cientistas sugerem ainda que pesquisas futuras devem usar muito mais cautela antes de recorrer à hipótese do deslocamento social (que é quando o indivíduo passa mais tempo na internet do que em interações face a face com amigos e familiares próximos) para contextualizar ou entender o papel do uso da mídia social na vida cotidiana.

Compartilhar experiências pessoais online ajuda na retenção de memória

Essa é outra pesquisa mostrando o “lado bom” do uso das mídias sociais.

Trata-se de um estudo publicado em 2016 no Journal of Memory diz que compartilhar memórias pessoais online ajuda na retenção de memória.

Eles tiveram que fazer um diário por semana sobre as atividades daquele dia. Também informaram se publicaram on-line alguma(s) dela(s).

Logo após o término do diário, receberam um teste surpresa de memória, e outro uma semana depois. Em ambos, as experiências compartilhadas na internet foram significativamente mais prováveis de serem recuperadas na memória.

Resultado: aqueles que compartilharam na internet suas experiências, refletiram e falaram sobre elas com outros, tenderam a lembrar melhor desses eventos, independentemente de suas características.

Ou seja, o compartilhamento de memórias online, por exemplo, nas mídias sociais, poderia oferecer oportunidades únicas criação de significado, que ajudam justamente na facilitação da retenção de memória.

Jovens em situação de assistência têm benefícios com as mídias sociais

Pesquisadores do Centro de Pesquisa sobre a Criança e a Família da Universidade de East Anglia, Reino Unido, revelam que jovens em atendimento beneficiam-se do apoio psicológico, emocional e social obtido por meio das redes sociais.

O estudo argumenta que as conexões sociais experimentadas pelas mídias sociais devem ser vistas como um recurso potencial importante para o apoio psicossocial em adolescentes em estado de assistência.

Além do mais, reforça a necessidade urgente de estudos que permitam a profissionais e políticos demonstrarem uma apreciação mais profunda dos potenciais das mídias sociais.

A pesquisa foi publicada em 2018 no British Journal of Social Work.

Mídias sociais: vilãs ou nem tanto?

Vale lembrar que essas são só algumas pesquisas; há inúmeros estudos científicos apontando riscos e benefícios das mídias sociais para o cérebro.

Então eu apresentei para você 6 pesquisas: três mostrando “o lado bom” e mais 3 sugerindo um “lado ruim”.

Logo, voltamos à pergunta deste post: as mídias sociais fazem bem ou mal ao cérebro? Elas são vilãs ou nem tanto?

A resposta é que depende. E outra coisa: é legal começarmos a nos afastar desse pensamento maniqueísta, por isso coloquei entre aspas os lados das mídias sociais.

Faço esse alerta pois tenho visto que esse tipo de colocação como ruim/bom tem sido recorrente com relação ao uso das mídias.

Acho que pensamentos maniqueístas empobrecem a discussão e deixam de fora reflexões importantes.

Inclusive a própria ciência possui limitações; os estudos aqui apresentados destacam a necessidade de pesquisas futuras.

E também temos que lembrar que a ciência também não pode ser interpretada como uma verdade universal, embora seja constituída de uma metodologia que lhe garanta maior confiabilidade.

Seria a moderação uma saída?

Portanto: a relação entre mídias sociais e o cérebro pode ser saudável ou não a depender de muitas coisas.

Somado a isso, não se pode negar que a internet talvez esteja envolvida em uma série de questões problemáticas sociais e psicológicas.

Da mesma forma é injusto não reconhecê-la como uma ferramenta que tem promovido mudanças positivas imensas na nossa vida!

Ou seja, a regra da moderação vale e muito para a internet. Nós temos que nos atentar sempre à forma como estamos utilizando as mídias sociais.

Por fim…. se você quiser saber mais, este post: Três dicas para aproveitar o potencial das mídias sociais pode te ajudar a refletir e melhorar o seu uso dessas ferramentas de comunicação!

Bom, é isso. Se até a água, fonte de vida, em excesso pode levar ao inchaço cerebral e à morte… pense o “resto”.

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